Atividade física pode proteger regiões cerebrais sensíveis à degeneração?

A atividade física pode ajudar a proteger regiões cerebrais sensíveis à neurodegeneração, de acordo com uma nova pesquisa que examinou o comprometimento cognitivo em idosos.

A pesquisa verificou que quanto mais atividade física é realizada, o risco de comprometimento cognitivo diminui. Mas não é necessário ser um atleta que dedica grande parte do dia ao treinamento para aproveitar os benefícios da atividade física; que nas palavras do psicólogo Federico Lande, “fazer algum exercício físico é melhor do que nada”. Compreender as origens e a evolução da atividade física como um recurso para a sobrevivência humana, nos ajuda a entender também vários problemas que surgem em torno do sedentarismo e as comorbidades associadas a esse estilo de vida prejudicial.

Hipócrates já havia passado muito tempo estudando atividade física para a saúde e descobriu que o eixo central é a conquista do equilíbrio entre exercícios físicos, refeições e bebidas. Esse postulado não é novo, no entanto, o fato de ser amplamente conhecido não implica que seja mais fácil torná-lo um hábito. No entanto, a motivação e a autodeterminação são necessárias para realizar algum esporte, pois encontra forte apoio nos achados de um novo estudo, que destaca seu potencial como tratamento não medicamentoso para comprometimento cognitivo, como a demência.

Por sua vez, é fácil de aplicar e apresenta baixo risco de efeitos colaterais, disseram os autores Kathrin Reetz e Alexa Haeger, que analisaram 23 estudos anteriores de ressonância magnética, que foram usados para examinaram como a atividade física estava relacionada ao comprometimento cognitivo leve, como a demência e a doença de Alzheimer. Os estudos incluíram um total de 2268 indivíduos.

Para encontrar a atividade física ideal como tratamento para uma pessoa, é necessário entender seu impacto direto na estrutura e integridade do cérebro. Por esse motivo, o objetivo da revisão foi investigar alterações cerebrais induzidas pelo exercício físico e condição física durante o comprometimento cognitivo, detectadas por ressonância magnética. Além disso, foram incluídos estudos de intervenção, bem como estudos observacionais com avaliação da condição física e questionários sobre a prática de esportes dos participantes.

Verificou-se que o exercício afeta as regiões cerebrais frontal, temporal e parietal, como a região hipocampal/parahipocampal, precuneus, cingulado anterior e córtex pré-frontal.

“A atividade física e o estado físico são refletidos na estrutura do cérebro na danificação cognitiva. Especialmente as regiões do cérebro afetadas pela neurodegeneração parecem responder ao exercício e à aptidão física”, disseram Reetz e Haeger.

“A interpretação dos estudos sempre deve ser feita no contexto do tamanho da amostra, metodologia e possível viés de seleção”. Além das alterações estruturais, as alterações metabólicas detectadas por métodos de imagem não invasivos seriam de grande interesse, apontam os autores, interessados em abordar essa questão por meio do estudo de imagens multimodais na doença de Alzheimer, aplicando também imagens metabólicas durante uma intervenção de atividade física.

Fonte: Psyciencia.