Qual a importância dos familiares no tratamento do TOC na infância?

O início precoce do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é endossado por várias investigações que indicam que, em muitas ocasiões, a criança/adolescente não é diagnosticada adequadamente, seja porque esconde suas preocupações e rituais, seja porque os pais os banalizam e eles geralmente não os consideram desproporcionalmente exagerados ou ilógicos, acreditando que estão com manias passageiras.

A importância de incluir parentes no tratamento de crianças com TOC, principalmente quando são muito jovens, é essencial por várias razões. Primeiro, a ausência ou pouca introspecção de menores sobre obsessões e compulsões dificulta o envolvimento no tratamento e a motivação para a mudança. Segundo, os altos níveis de estresse, ansiedade e conflito encontrados em famílias de crianças com TOC podem afetar a manutenção do distúrbio e a eficácia das intervenções.

Em terceiro lugar, as respostas da acomodação familiar, destinadas a aliviar o desconforto da criança participando da execução dos rituais, significam que o distúrbio continua a progredir, pois reduz a exposição aos estímulos temidos e, portanto, evita sua habituação ocorre e a verificação de que as consequências temidas não ocorrem. Finalmente, e como a intervenção psicológica em crianças deve ser realizada onde o problema surgir, o fato de os pais participarem como co-terapeutas e realizarem atividades em casa, permite generalizar a aplicação do tratamento e manter as conquistas. As conclusões foram tiradas do artigo Family involvement and treatment for young children with obsessive-compulsive disorder (Envolvimento familiar e tratamento de crianças pequenas com transtorno obsessivo-compulsivo), publicado no International Journal of Clinical and Health Psychology.

A equipe de pesquisadores realizou um estudo com 44 crianças com idade entre 5,20 e 7,90 anos (média = 6,66, DP = 0,72) portadoras de TOC. O principal objetivo foi avaliar a eficácia diferencial de um protocolo de intervenção cognitivo-comportamental para crianças pequenas que consistiu em 12 sessões de tratamento de 60 minutos.

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As condições de tratamento foram três. Grupo 1: Treinamento de pais e filhos. Os pais e a criança realizaram as sessões juntos. A exposição em casa deve ser orientada e supervisionada por ambos os pais, reforçando as realizações da criança. Todas as técnicas aplicadas na intervenção foram descritas nos manuais entregues aos pais. Grupo 2: Treinamento de mãe e filho. Nesta condição, todas as participantes eram mães. A mãe e a criança realizaram as sessões juntas. A exposição em casa foi orientada e supervisionada pela mãe. Nessa condição, o pai precisava ler as pastas de trabalho para poder colaborar na redução das respostas à acomodação da família, no controle das respostas a problemas em casa e no reforço das exposições ao estímulo temido ou, o pior caso para não impedir o desempenho da mãe. Grupo 3: Tratamento para a mãe. Todas as participantes eram mães. As mães participaram sozinhas em 12 sessões semanais com o psicólogo. O tratamento foi o mesmo, mas, neste caso, o tempo a ser gasto com a criança foi focado em explicar e treinar a mãe (dramatização) sobre o que ela deveria fazer em casa com seu filho (como e como teria sido feito na consulta). Da mesma forma que na condição 2, o pai teve que ler a pasta de trabalho para colaborar com a mãe, tanto na redução das respostas da acomodação da família quanto nos comportamentos problemáticos da criança e no reforço das tarefas de exposição.

Os resultados indicaram que o protocolo foi eficaz na redução dos sintomas obsessivo-compulsivos e na acomodação da família no pós-teste e acompanhamento nas três condições. No entanto, a inclusão dos pais ativamente no tratamento, atuando como co-terapeutas, não apenas permitiu reduzir a “acomodação da família”, mas também manter e generalizar as conquistas (entre contextos: do contexto clínico ao lar; entre pessoas: aos pais não participantes e ao longo do tempo; melhorias aprimoradas nas medidas de acompanhamento). Além disso, nos casos em que as crianças também apresentavam problemas de internalização ou externalização, a condição mais efetiva era a que incluía pais e filho.

Assim, na intervenção do TOC infantil, a inclusão de pais e filhos no tratamento é necessária não apenas para reduzir comportamentos obsessivo-compulsivos, mas também para reduzir a acomodação familiar, cuja existência constituiria quase uma barreira intransponíveis para uma aplicação eficaz do tratamento psicológico. Além disso, é relevante o envolvimento direto da criança no tratamento, tanto para aumentar sua motivação quanto para fomentar e intensificar a segurança dos pais no manejo de comportamentos problemáticos que podem ocorrer durante o tratamento em contextos não clínicos.

Portanto, os pesquisadores acreditam que devem avançar para uma visão mais transdiagnóstica do suicídio (mais focada nas dimensões protetoras), implementando políticas de saúde pública mais abrangentes e outras mais focadas nas pessoas com vulnerabilidade, para tentar fortalecer os fatores de proteção que eles promovem um maior grau de resiliência a um possível resultado adverso ou letal, porque continuar focando no interesse em fatores de risco ainda não é uma estratégia adequada para salvar vidas.

Fonte: Infocop.