Imagens do cérebro podem ajudar no diagnóstico de transtornos mentais

As imagens do cérebro podem um dia levar a melhores diagnósticos e tratamentos para aqueles que sofrem de distúrbios de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, de acordo com um novo estudo da Universidade da Pensilvânia.

Ao diagnosticar distúrbios de saúde mental, atualmente os médicos dependem muito dos sintomas do paciente, o que pode ser uma prática inteiramente subjetiva. No entanto, os sintomas observados pelos médicos nem sempre se alinham com o que os pesquisadores aprenderam sobre a estrutura e função do cérebro em pessoas com distúrbios psiquiátricos.

Se a neurobiologia e os sintomas psicológicos estão em desacordo, isso coloca em dúvida se os sintomas psicológicos devem conduzir o tratamento.

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“Os pesquisadores estão ficando mais conscientes de que nossas categorias tradicionais de diagnóstico baseadas em sintomas não se alinham à neurobiologia subjacente”, diz a Dra. Antonia Kaczkurkin, PhD, da Universidade da Pensilvânia.

Além disso, parte da dificuldade no tratamento da depressão e da ansiedade é que nem todas as pessoas respondem a um determinado tratamento. A identificação de subtipos baseados na neurobiologia, e não apenas nos sintomas, pode levar a uma intervenção precoce mais direcionada ou a um tratamento mais personalizado.

Para o estudo, os pesquisadores estudaram o cérebro de crianças e adolescentes e descobriram que os jovens podem ter sintomas semelhantes, mas diferentes padrões neurobiológicos. Kaczkurkin e sua equipe usaram um tipo de aprendizado de máquina chamado HYDRA para interpretar informações das varreduras do cérebro de mais de 1.100 crianças e adolescentes que apresentavam sintomas de depressão e ansiedade.

Eles se concentraram em várias variáveis: volume cerebral, espessura do córtex (as camadas externas do cérebro), um tipo particular de conectividade cerebral (a magnitude das flutuações lentas da atividade cerebral), integridade da substância branca (a organização dos tratos da substância branca do cérebro), desempenho dos participantes em testes cognitivos e padrões de sintomas psiquiátricos.

Dois principais subtipos clínicos de distúrbios surgiram. Os jovens do primeiro subgrupo apresentaram déficits na estrutura cerebral, função cerebral e cognição, além de sintomas psicológicos mais acentuados do que outros participantes do estudo.

Os participantes do segundo subtipo ainda apresentavam altos níveis de sintomas clínicos de depressão e ansiedade, mas não apresentavam os mesmos déficits na estrutura, função e cognição do cérebro.

“Esses resultados sugerem que pode haver assinaturas neurobiológicas subjacentes distintas desses sintomas comuns, apesar de apresentações clínicas semelhantes”, disse Kaczkurkin. O estudo foi publicado na revista Biological Psychiatry.

Fonte: Psychcentral.