Humor, uma vacina contra o ‘vírus’ do medo?

O medo é um mau companheiro de viagem. Às vezes, aparece sem razão, mas isso não nos impede de paralisar, enfraquecer e nos encher de dúvidas. Injetar é muito fácil: basta repetir uma ideia e cultivar o “vírus”. Aparecem histeria e paranoia coletiva. A tal ponto que é capaz de tornar doente uma sociedade saudável. Existem diferentes fórmulas para superá-lo, mas a mais importante é nossa. Quando algo nos assusta, vamos aprender a rir disso. Se também conseguirmos fazer isso sozinhos, vencemos a batalha.

O riso é uma das melhores armas para superar a tensão, o medo ou o fracasso. Melhora a química do nosso corpo, como várias investigações mostraram. O senso de humor reduz o temido hormônio do estresse, o cortisol; diminui o risco de doenças cardiovasculares e melhora nosso humor. Sabemos disso desde a infância inconscientemente. Certamente muitos de nós assistimos filmes de terror com nossos amigos. O objetivo era “comentar a peça”. Basicamente, isso consistia em rir das cenas que mais nos davam medo. Dessa forma, passamos pelo susto acompanhado e rindo. Agora também está acontecendo com a ameaça do coronavírus, por exemplo. Em menos de um mês, uma conta em espanhol no Twitter, “@CoronaVid19”, ganhou mais de 444.000 seguidores.

Esse perfil se define como a conta do escritório de coronavírus (dessa maneira). Sua mensagem mais visualizada foi: “estou encerrando a turnê mundial com meu representante”, com 200.000 curtidas. Eles são seguidos por frases como “você deseja inserir o sorteio para uma licença de trabalho?”; “sou do Erasmus” ou “cancelo eventos a pedido”. O principal ingrediente dessa conta é o senso de humor. De fato, existem usuários que se referiram a ela em seus tweets: “se o coronavírus causa medo, em alguns lugares, zombamos da situação criando o @CoronaVid19”. Para dar mais cor a seus comentários, surgiram outros relatos de que parodiam doenças como ebola ou varíola, embora com muito menos seguidores, com quem ele entra em conversas realmente absurdas e divertidas.

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O sucesso da contagem de coronavírus, ao chamá-lo de alguma forma, é um excelente exemplo da ligação profunda entre senso de humor e medo. Quanto mais algo nos assusta, mais precisamos rir disso. Pode parecer estranho, mas essa necessidade é realmente saudável, embora nenhuma piada valha a pena. O senso de humor pode ser transformado em uma arma de arremesso para terceiros, quando eles dependem de sarcasmo ou zombaria. Nesse caso, rimos, mas também prejudicamos outras pessoas, mesmo pelas costas. Eles dizem que é exatamente isso que os irmãos Kennedy estavam fazendo quando convidaram para conhecer um conhecido que não gostavam em excesso. Eles mostraram cortesia na frente dele, mas por trás deles se explicaram com todos os tipos de comentários ácidos.

Possivelmente, o humor mais saudável é aquele que nos ajuda a enfrentar um medo sem magoar os outros. O que podemos fazer para desenvolver essa capacidade e rir mesmo de situações que nos paralisam? Primeiro, nos cercamos de pessoas que despertam nosso senso de humor. Precisamos ter amizades que nos ajudem a ver a parte amigável das coisas. Às vezes, uma ligação ou uma piada se torna a mão de um santo para superar um problema ou raiva do chefe. Segundo, gere um ambiente em que o riso tenha espaço. Problemas no trabalho, na família ou em qualquer área da vida amargam nosso humor. Para combatê-lo, podemos assistir a vídeos engraçados, seguir contas engraçadas nas redes sociais ou qualquer outra estratégia que vier à mente e nos faça sorrir. Não vamos passar um único dia sem rir, nem um pouco.

Finalmente, não devemos levar as coisas tão a sério. A vida é muito curta para viver com seriedade solene. Se olharmos para nossos erros, certamente encontraremos inúmeras situações para tirar proveito deles. Se também comentarmos sobre eles em ambientes amigáveis, com amigos que os relativizam com humor, eles nos ajudarão a superar problemas em menos tempo e, aliás, melhorar nossa saúde. O riso é um aliado que sempre devemos levar em nossa mala.

Fonte: El País.

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