Tornamo-nos otimistas ao desenvolver nosso pensamento crítico?

O pensamento crítico nos ajuda a ter sucesso, até a nos sentirmos melhor com o que fazemos. Em janeiro de 2020, o Fórum Econômico Mundial, também conhecido como o Fórum de Davos, considerou esta habilidade como a segunda mais importante entre as quais poderíamos desenvolver. Cinco anos antes, o pensamento crítico ficou em quarto lugar. A proliferação de notícias falsas e a complexidade do mundo em que vivemos aumentaram em importância. O problema é que geralmente não está muito presente em nossas vidas. Um exemplo é suficiente para demonstrá-lo.

Imaginemos que em 2017 nos foi feita a seguinte pergunta: Nos últimos 20 anos, a proporção da população mundial vivendo em condições de extrema pobreza:

  1. Quase dobrou;
  2. Permaneceu mais ou menos estável;
  3. Quase foi cortado pela metade.

O que responderíamos?

A resposta correta é a número “3”. Apenas 7% dos 12.000 entrevistados em 14 países, de acordo com o estudo da Factfulness, um livro escrito pela família Rosling (Grupo Planeta). A pergunta é uma das 13 questões que aparecem na pesquisa e confirmam várias descobertas. Entre elas, as pessoas têm um viés que nos faz ver que o mundo está indo muito pior do que os dados indicam e que, se queremos tomar melhores decisões, precisamos desenvolver um pensamento crítico. Porém, nossas mentes têm uma tendência a dramatizar. Não treinamos o músculo do pensamento crítico, ou seja, não analisamos, avaliamos ou tiramos conclusões de maneira objetiva, sem crenças prévias.

Nós passamos por paixões inconscientes que nos fazem responder a toda velocidade, sem mesmo verificar se a mensagem é verdadeira ou se é manipulada. Como temos medo de perder nossa identidade associada a certa crença religiosa, política ou qualquer que seja, qualquer informação que pareça ameaçadora, nós a atacamos imediatamente. Precisamos exercitar o pensamento crítico para tomar melhores decisões e viver mais serenamente, sem o estresse de informações negativas que nos bombardeiam. Vamos ver algumas sugestões.

iStock

Primeiro, vamos aos dados e verificamos a veracidade da fonte. Para a pergunta inicial, a porcentagem de pessoas que vivem com menos de US$ 1,9 (valor em dólar) por dia caiu de 34% em 1993 para 10,7% em 2013, segundo o Banco Mundial. Em 1997, 42% da população da Índia e da China viviam em extrema pobreza. Na Índia, essa taxa caiu para 12% duas décadas depois: havia 270 milhões a menos de pessoas vivendo na miséria. São boas notícias provenientes de dados objetivos e de uma fonte confiável.

Em segundo lugar, temos que aceitar dois fatos aparentemente contraditórios: é possível ser ruim, mas ter melhorado ao mesmo tempo. Nossa sociedade tem sérios problemas a enfrentar, especialmente agora que o covid-19 entrou em nossas vidas. No entanto, podemos afirmar que, comparativamente, somos muito melhores do que no passado. Simplesmente, vamos apresentar dados e analisar, por exemplo, o impacto da chamada gripe espanhola há um século.

Terceiro, deve-se supor que notícias dramáticas atraem mais atenção do que notícias positivas. Nosso cérebro está estruturado para a sobrevivência, portanto, não é de surpreender que prestemos mais atenção aos perigos do que aos aspectos positivos. Devemos ter uma perspectiva e ampliar nosso ponto de vista. E, finalmente, aceite que as memórias geralmente estão vestidas de rosa. A nostalgia cria um bálsamo que nos leva a glorificar o passado, tanto em nossas vidas quanto nas histórias dos países.

Fonte: El País.