Qual o verdadeiro impacto das emoções no corpo?

As emoções são reações comportamentais, fisiológicas e subjetivas, ativadas por informações do mundo externo e/ou interno do indivíduo. Essas reações podem ser rejeição, se sentirmos esses estímulos como perigosos ou desagradáveis, ou atraentes, se os experimentarmos como atrativos ou agradáveis. Poderíamos dizer que eles são um sistema de sinais que nos impelem a fazer alterações para executar alguma ação.

A função fundamental atribuída a eles é a de sobrevivência, pois nos pressionam a evitar ou combater situações prejudiciais (predadores, comida estragada, agressões…) ou a abordar estímulos agradáveis (água, atividade sexual, refúgio…).

Fisiologia das emoções:

As emoções alertam todo o organismo para que ele funcione como um todo e possa responder aos desafios da vida ativando várias respostas cardiovasculares, musculares esqueléticas, neuroendócrinas e autonômicas.

Segundo Damasio (1994, 1999, 2000), a ocorrência de um processo emocional inicia-se com a percepção de um objeto ou situação, ou com a memória desse objeto ou situação; em ambos os casos, o resultado é a ativação dos núcleos do tronco cerebral, hipotálamo e amígdala. Essas estruturas liberam hormônios de vários tipos na corrente sanguínea, que são direcionados, por um lado, para várias áreas do próprio corpo e, por outro lado, para diferentes áreas do cérebro.

Ao mesmo tempo, essas estruturas enviam simultaneamente sinais eletroquímicos através de neurotransmissores, por um lado, para as glândulas suprarrenais, que liberam hormônios com repercussões subsequentes no cérebro e, por outro lado, para outras regiões do cérebro, como a córtex, tálamo e gânglios da base, que mudarão o estado cognitivo e a maneira de processar as informações.

Não é de surpreender, portanto, que quando experimentamos uma emoção, diferentes mudanças corporais sejam evidentes, tendo em mente que algumas dessas mudanças são comuns a várias emoções diferentes.

Imagem/Reprodução

Assim, por exemplo, em uma situação perigosa que ativa a resposta de fuga, o coração bate rápida e fortemente para bombear mais sangue para o cérebro e os músculos, a respiração acelera para aumentar a oxigenação, as pupilas dilatam para aumentar o campo visualmente, o intestino é esvaziado (diarreia ou vômito) para tornar-nos mais leves quando se trata de correr, etc.

Se a resposta ativada está lutando, são liberadas substâncias que ajudam o sangue a coagular mais facilmente em caso de lesões, os músculos se contraem para agir, o que pode levar a tremores e contraturas…

O mapa corporal das emoções:

Em um estudo finlandês recente, 701 participantes de várias nacionalidades foram solicitados a apontar em um desenho de uma figura humana as áreas do corpo que foram ativadas ao sentir um certo estado emocional e em outra figura, as áreas em que eles sentiram menos ativação, através de um código de cores (cores quentes = ativação, frio = desativação). Para isso, foram apresentadas palavras, histórias, filmes e expressões faciais que representavam 6 emoções básicas ou primárias (raiva, medo, nojo, felicidade, tristeza e surpresa) e 7 secundárias ou complexas.

Os resultados obtidos neste experimento confirmaram que somos capazes de localizar variações no estado emocional em diferentes áreas da anatomia do corpo, independentemente da nacionalidade do sujeito.

Com os resultados obtidos, o “Mapa Corporal das Emoções” foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As emoções mais básicas estão associadas a sentimentos de alta atividade na região superior do peito, o que corresponde a alterações na respiração e na frequência cardíaca.

Da mesma forma, quase todas as emoções geradas mudam na área da cabeça, o que sugere a importância da área da face (ativação dos músculos faciais, alterações no sorriso, lacrimação ou temperatura da pele).

As sensações no sistema digestivo e ao redor da garganta estavam presentes com nojo. Em contraste com outras emoções, a felicidade ativa praticamente todo o corpo, dando a sensação de “plenitude”. Por outro lado, na depressão, o corpo parece desativado e sugere um “vácuo” concentrado no peito.

No amor e na raiva, as extremidades são refletidas, talvez porque nesse momento você esteja pronto para abraçar ou bater. Na ansiedade, a energia é concentrada do tronco para a cabeça, enquanto os membros permanecem inativos.

Os autores do estudo sugerem que a evidência do papel que o corpo desempenha no processo emocional pode nos ajudar a entender as mudanças nos estados de humor, além de servir como biomarcadores de distúrbios emocionais.

Fonte: Psicopedia.